Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














Copeiro


Luiz Alberto Machado - 25/06/2007

No Novo Dicionário Aurélio, a referência para o uso mais comum da palavra copeiro é: S. m. Empregado doméstico que trabalha na copa e que serve à mesa. Os outros significados apresentados são de emprego não usual.

De uns anos para cá, no entanto, os comentaristas esportivos começaram a utilizar este termo para definir times ou técnicos que se destacam por serem vitoriosos em torneios eliminatórios, disputados no sistema mata-mata. De acordo com esses analistas, uma coisa é ser capaz de se dar bem nos campeonatos de pontos corridos, onde a regularidade constitui-se no fator-chave. Outra, bem diferente, é ter a capacidade de conquistar títulos em torneios no sistema mata-mata, em que uma só derrota põe por terra um longo e extenuante trabalho.

Luiz Felipe Scolari é um técnico considerado copeiro por excelência. Conquistou títulos em campeonatos disputados em sistema eliminatório por vários clubes e seleções, sendo os mais lembrados as Copas Libertadores, com o Grêmio e o Palmeiras, além, é claro, da maior de todas as vitórias, a Copa do Mundo de 2002, na Coréia e no Japão, com a Seleção Brasileira.

Entre os clubes, no Brasil , têm fama de copeiros os times do São Paulo e do Grêmio. O primeiro, por ter conquistado duas vezes seguidas a Libertadores e a Copa Toyota, equivalente ao título de campeão do mundo interclubes, quando dirigido pelo saudoso Telê Santana, ainda nos anos 90. O fato se repetiu em 2005, quando novamente a equipe conquistou os dois títulos, agora sob a direção de Paulo Autuori.

O Grêmio, por sua vez, adquiriu a fama de copeiro, por jogar, tradicionalmente, um futebol em que o estilo viril e a disciplina tática se sobrepõem à técnica e à classe. Isto se deve, para alguns, ao fato de que sendo do Rio Grande do Sul, recebe uma influência mais forte, a exemplo do Internacional, dos times argentinos e uruguaios, famosos por sua garra e, não raras vezes, uma combinação de violência com malandragem. Dependendo da dose dessa mistura, esses clubes conseguem tirar do sério seus adversários de qualquer outra localidade.

Confesso que, de minha parte, acho isso coisa do passado, uma vez que, a partir do momento em que a Libertadores foi revitalizada anos atrás, com o patrocínio da Toyota, passando a ser o torneio preferido por jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores, todas as equipes que dela participam possuem um estilo parecido e procuram, de todas as formas, tirar vantagem do fator campo.

Entre as seleções, não há como deixar de reconhecer como copeiras as do Brasil, Itália e Alemanha, responsáveis por 12 títulos mundiais (em 17 disputados), além de 7 vice-campeonatos.

Entre os clubes europeus, por sua vez, Milan e Real Madri ostentam fama de copeiros, por serem colecionadores de copas nacionais e européias, graças à excelente administração e robustez econômica, que lhes permite estar sempre com elencos de excepcional qualidade, com abundância de jogadores de reconhecida categoria.

Mas, em termos de ser copeiro, sem possuir os recursos dos times europeus, quem está com a bola toda é o Boca Juniors, da Argentina. Ao vencer o Grêmio por 2 a 0 na semana passada, em pleno Estádio Olímpico de Porto Alegre, o time de La Bombonera conquistou pela sexta vez o título da Libertadores, tendo chegado 9 vezes à final, em suas 20 participações. A forma inconteste com que superou o Grêmio nas duas partidas serviu apenas para confirmar que, nesse tipo de torneio, o Boca é PhD.



 



 

 

Bichir
asbichir@hotmail.com
25/06/2007


 

É, Beto, acho que vc tem razão. De um ponto de vista estritamente objetivo, isto é, relação custo/benefício, \'nuestros hermanos indo-americanos\' são extremamente eficientes. O fato de o São Paulo ter conquistado a Libertadores por três vezes enfraquece, ao menos em parte, a tese por vc exposta. O bicampeonato foi alcançado graças à uma combinação perfeita de técnica e disposição tática. Mas, com o formato da copa libertadores nem sempre o campeão pode se vangloriar. O Boca sofreu 5 derrotas (se não me engano)e o Grêmio ficou por aí. Acho que a concepção é tão equivocada como a do campeonato brasileiro, algo do tipo \'integração latino-americana\', insossa e demagógica.Agora, como lhe disse num email, esses hermanos são terríveis quando decidem algo. A \'gana\' com que o Boca entorpeceu o Grêmio foi algo espantoso e que sempre me impressiona, após - sei lá - mais de quarenta anos assistindo futebol. Sem falar (é preciso não minimizar o fato) na discutível qualidade técnica d
o Grêmio, time que acho medíocre. Não desvalorizo a conquista do Boca. Mas, não me empolgo também com o seu time. O \'dorminhoco\' Riquelme jogou bem acordado as duas partidas. Fez a diferença, para cair na vala comum...
grande abraço.


 



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