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Copeiro
Luiz Alberto Machado -
25/06/2007
No Novo Dicionário Aurélio, a
referência para o uso mais comum da palavra
copeiro é: S. m. Empregado doméstico
que trabalha na copa e que serve à mesa.
Os outros significados apresentados são de
emprego não usual.
De uns anos para cá, no entanto, os comentaristas
esportivos começaram a utilizar este termo
para definir times ou técnicos que se destacam
por serem vitoriosos em torneios eliminatórios,
disputados no sistema mata-mata. De acordo com esses
analistas, uma coisa é ser capaz de se dar
bem nos campeonatos de pontos corridos, onde a regularidade
constitui-se no fator-chave. Outra, bem diferente,
é ter a capacidade de conquistar títulos
em torneios no sistema mata-mata, em que uma só
derrota põe por terra um longo e extenuante
trabalho.
Luiz Felipe Scolari é um técnico
considerado copeiro por excelência. Conquistou
títulos em campeonatos disputados em sistema
eliminatório por vários clubes e seleções,
sendo os mais lembrados as Copas Libertadores, com
o Grêmio e o Palmeiras, além, é
claro, da maior de todas as vitórias, a Copa
do Mundo de 2002, na Coréia e no Japão,
com a Seleção Brasileira.
Entre os clubes, no Brasil , têm fama de
copeiros os times do São Paulo e do Grêmio.
O primeiro, por ter conquistado duas vezes seguidas
a Libertadores e a Copa Toyota, equivalente ao título
de campeão do mundo interclubes, quando dirigido
pelo saudoso Telê Santana, ainda nos anos
90. O fato se repetiu em 2005, quando novamente
a equipe conquistou os dois títulos, agora
sob a direção de Paulo Autuori.
O Grêmio, por sua vez, adquiriu a fama de
copeiro, por jogar, tradicionalmente, um futebol
em que o estilo viril e a disciplina tática
se sobrepõem à técnica e à
classe. Isto se deve, para alguns, ao fato de que
sendo do Rio Grande do Sul, recebe uma influência
mais forte, a exemplo do Internacional, dos times
argentinos e uruguaios, famosos por sua garra e,
não raras vezes, uma combinação
de violência com malandragem. Dependendo da
dose dessa mistura, esses clubes conseguem tirar
do sério seus adversários de qualquer
outra localidade.
Confesso que, de minha parte, acho isso coisa do
passado, uma vez que, a partir do momento em que
a Libertadores foi revitalizada anos atrás,
com o patrocínio da Toyota, passando a ser
o torneio preferido por jogadores, técnicos,
dirigentes e torcedores, todas as equipes que dela
participam possuem um estilo parecido e procuram,
de todas as formas, tirar vantagem do fator campo.
Entre as seleções, não há
como deixar de reconhecer como copeiras as do Brasil,
Itália e Alemanha, responsáveis por
12 títulos mundiais (em 17 disputados), além
de 7 vice-campeonatos.
Entre os clubes europeus, por sua vez, Milan e
Real Madri ostentam fama de copeiros, por serem
colecionadores de copas nacionais e européias,
graças à excelente administração
e robustez econômica, que lhes permite estar
sempre com elencos de excepcional qualidade, com
abundância de jogadores de reconhecida categoria.
Mas, em termos de ser copeiro, sem possuir os recursos
dos times europeus, quem está com a bola
toda é o Boca Juniors, da Argentina. Ao vencer
o Grêmio por 2 a 0 na semana passada, em pleno
Estádio Olímpico de Porto Alegre,
o time de La Bombonera conquistou pela sexta vez
o título da Libertadores, tendo chegado 9
vezes à final, em suas 20 participações.
A forma inconteste com que superou o Grêmio
nas duas partidas serviu apenas para confirmar que,
nesse tipo de torneio, o Boca é PhD.
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