Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.














LÁGRIMAS: DE ALEGRIA E DE TRISTEZA


Luiz Alberto Machado - 26/10/2006

Dois momentos me marcaram nas transmissões esportivas das últimas semanas. Em ambas, cheguei a me emocionar, ainda que sem chegar às lágrimas. Mas conheço gente - em bom número - que chegou a vertê-las.

Começo pela mais recente.

Aconteceu no domingo, dia 22, logo após a vitória de Felipe Massa no GP do Brasil de Fórmula 1. Ainda que as maiores atenções, no mundo todo, estivessem voltadas para a disputa do título da temporada entre o espanhol Fernando Alonso (que acabou conquistando o bicampeonato) e o alemão Michael Schumacher (que fazia em Interlagos a última corrida de sua brilhante carreira), para nós, brasileiros, o que valeu mesmo foi a segunda vitória do nosso jovem piloto em sua primeira temporada na Ferrari.

Assim que Massa cruzou a linha de chegada, a Rede Globo, que detém a exclusividade da transmissão, soltou a música Tema da vitória, magistral criação de Eduardo Souto Neto que ficou indelevelmente associada à imagem de Ayrton Senna. Quando Massa parou o carro e pegou uma bandeira do Brasil para a volta de comemoração, repetindo gesto característico de Senna, a emoção aflorou, principalmente a do narrador Galvão Bueno, que era grande amigo do falecido campeão.

Sei que Galvão Bueno é muito criticado por seu excesso de fanatismo, confundindo muitas vezes a condição de narrador com a de torcedor. Mas não se pode deixar de reconhecer nele a figura de um ser humano que, além de entusiasta do esporte é, como qualquer um de nós, alguém constituído de carne, osso, sentimentos e emoções, que explodem quando algo ou alguém que nos é muito querido nos vem à memória.

A emoção extravasada por Galvão Bueno fez com que muitos - centenas, milhares, milhões? - telespectadores também se emocionassem, muitos dos quais por relembrarem das fantásticas manhãs de domingo em que Ayrton Senna nos enchia de orgulho de sermos brasileiros.

Vale aqui um registro. Senna, na verdade, deu seqüência a uma sucessão de pilotos brasileiros que se destacaram no ultracompetitivo mundo da Fórmula 1, iniciada com Emerson Fittipaldi e continuada com José Carlos Pacce, Nelson Piquet, Rubens Barricchelo e, agora, Felipe Massa. Trata-se de um caso único, em se tratando de um país que não está entre o grupo dos chamados desenvolvidos, Ao contrário de exemplos isolados de pilotos de outros países latino-americanos, como o argentino Carlos Reutemann e o colombiano Juan Pablo Montoya, o Brasil tem produzido campeões em série no automobilismo. Esperemos que Massa, cujo início de carreira numa equipe de ponta tem sido bastante promissor, venha a colecionar inúmeras vitórias, a exemplo de seus ilustres antecessores.

Depois de Senna, tivemos apenas alguns poucos ídolos em esportes individuais. O pugilista Acelino "Popó" Freitas, a ginasta Daiane dos Santos e o cavaleiro Rodrigo Pessoa foram alguns dos que conquistaram títulos expressivos, porém em modalidades que não chegam a despertar grandes paixões, nem a ter grande repercussão na mídia. Houve também o caso do tenista Gustavo Kuerten, o Guga. Este foi, sem dúvida, um verdadeiro herói, conquistando por três vezes o Aberto da França, em Roland Garros, um dos quatro torneios que compõem o Grand Slam (considerados os mais importantes torneios do mundo), além de ter permanecido por 43 semanas como número 1 do ranking mundial. Considerado o rei do saibro, foi nessa superfície que conquistou a maior parte de seus títulos, até passar a enfrentar sérios problemas físicos que o impedem de ter uma seqüência regular de jogos e que fizeram com que ele despencasse no ranking. Em outros países, o aparecimento de um fenômeno como o de Guga, representou um marco e provocou uma explosão da modalidade, com extraordinário aumento do número de praticantes e aparecimento sucessivo de grandes jogadores. Foi assim na Argentina, por causa de Guillermo Villas, na Suécia, graças a Bjorn Borg, e na Alemanha de Boris Becker, só para citar alguns casos mais notórios. No Brasil, lamentavelmente, o fenômeno Guga não gerou esse mesmo tipo de boom, e a equipe brasileira, depois de permanecer por quase uma década na primeira divisão da Copa Davis, chegou ao fundo do poço em 2004/2005 em razão da recusa dos principais jogadores de integrar a equipe por causa de desentendimentos com o então presidente da CBT - Confederação Brasileira de Tênis. Recentemente, contando com a participação dos principais jogadores, inclusive de Guga ainda fora de suas melhores condições, o Brasil foi derrotado, em casa, pela Suécia, perdendo a chance de retornar à divisão principal na edição de 2007.

O outro episódio que me despertou grande emoção foi o depoimento de Alessandra e Janeth, integrantes da seleção brasileira feminina de basquete que, recentemente, conquistou o quarto lugar no Campeonato Mundial disputado em São Paulo. Alessandra e Janeth fizeram parte da equipe que conquistou o título mundial em 1994, na Austrália, e das equipes olímpicas que conquistaram as medalhas de prata (1996) e bronze (2000), além de terem elevado o nome do Brasil em função do ótimo desempenho apresentado quando jogaram por equipes estrangeiras, incluindo a WNBA, versão feminina da famosa liga de basquete profissional dos Estados Unidos. Em entrevista na televisão, Alessandra, que se contundiu na semifinal do Mundial, tendo que se submeter a uma cirurgia no ombro, queixou-se da falta de apoio da Confederação e Janeth, aos prantos, disse que todo o esforço e dedicação do grupo, que conquistou o quarto lugar mesmo com o basquete brasileiro vivendo uma crise sem precedentes, não havia recebido por parte dos dirigentes da CBB - Confederação Brasileira de Basquete, o mesmo reconhecimento que recebeu do público. Disse que nem os salários dos últimos dois meses haviam sido pagos às jogadoras. O presidente da CBB, como de hábito, omitiu-se ou saiu-se com evasivas por meio de depoimentos de seus porta-vozes.

É revoltante ver qualquer atleta, quanto mais alguém da grandeza de uma Janeth, chorando em público por um motivo mais do que justo, em função da incompetência e da insensibilidade de um mau dirigente esportivo. Repete-se no basquete e no tênis o que já ocorreu em outras modalidades (como o judô, por exemplo) e vem ocorrendo no tiro: dirigentes despreparados, cujos nomes nego-me terminantemente a citar neste artigo, ao lado dos nomes desses grandes ídolos aqui mencionados, prejudicando muito mais do que contribuindo para o engrandecimento do esporte nacional.

Este, porém, será tema de um próximo artigo.

 

 




 
 

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