| Pan
do Rio: Sinal Amarelo
Luiz
Alberto Machado - 28/04/2007
O fato: Pelé
esteve no Rio de Janeiro para alguns compromissos profissionais e, na companhia
das ginastas da equipe brasileira, expressou sua preocupação diante do atraso
das obras de diversas instalações que serão utilizadas nos Jogos Pan Americanos,
a terem lugar em julho próximo, no Rio de Janeiro. Com toda razão, Pelé chamou a atenção para a gravidade
do fato e levantou a seguinte questão: se para se preparar para os Jogos Pan Americanos,
sabidamente uma competição esvaziada de interesse em diversas modalidades pelo
fato de que vários países, em muitas modalidades, não enviarão ao Rio suas seleções
principais, o que poderá acontecer caso o Brasil tenha êxito em seu pleito de
sediar a Copa do Mundo de 2014? O contra-fato: Há aproximadamente dois anos, na qualidade de diretor da Faculdade de
Economia da FAAP, tive a honra de recepcionar o presidente da Aramco (a maior empresa de petróleo do mundo), que deu interessante
palestra sobre o abastecimento de petróleo no futuro, considerando curto, médio
e longo prazos. Desde então, passei a receber regularmente, por especial deferência
de seus diretores, a revista Saudi Aramco World, publicada bimestralmente
pela companhia. A capa de sua edição de março/abril
de 2007 traz uma foto espetacular de parte das instalações do complexo de Doha, no Qatar, sede da décima-quinta edição dos Jogos Asiáticos, realizados em dezembro
de 2006. Nas páginas internas, a descrição dos jogos e de sua organização revela
que as instalações de todas as modalidades, consideradas de excepcional nível
de qualidade, estavam prontas meses antes do evento, o que permitiu que diversos
testes fossem realizados, evitando que qualquer surpresa ocorresse durante a realização
das competições. Em 2006, ao patrocinar o Campeonato Mundial de Basquete
Feminino, São Paulo (no caso representando o Brasil) protagonizou um vexame mostrado
ao vivo para diversos países: vários jogos tiveram de ser interrompidos em razão
das inúmeras goteiras existentes no Ginásio do Ibirapuera, o mais importante da
cidade. Espero estar errado, mas, a exemplo de Pelé, tenho enorme
preocupação quando penso nos Jogos Pan Americanos. Não pelos resultados, pois
o Brasil, seguramente, fará bom papel, o que sempre ocorre com o país-sede, mas
acima de tudo pela organização, pela infra-estrutura e, acima de tudo, pela segurança
de atletas, jornalistas e torcedores de diversas nacionalidades, que virão ao
Rio no mês de julho. Isso sem falar
no espetacular estouro do orçamento, que deve gerar ainda muita discussão e, quem
sabe, alguma comissão de inquérito. Recentes levantamentos revelam que o gasto
com o Pan do Rio, inicialmente previsto em R$ 1,5 bilhão, deve chegar à casa dos
R$ 5 bilhões. Considerando que o investimento foi feito quase inteiramente com
dinheiro público, fica a pergunta: vale a pena, levando-se em conta a infinidade
de problemas prioritários da cidade, do estado e do país? |