Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.












Invasão de campo


Luiz Alberto Machado - 28/08/2007

O amigo internauta não precisa se preocupar com o título deste artigo, achando que o mesmo focalize algum incidente dessa natureza, que, lamentavelmente, ainda ocorre com freqüência nos estádios e ginásios brasileiros.

Invasão de campo é o título de um livro recém publicado em português (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007), que aborda um dos casos mais incríveis de concorrência envolvendo empresas produtoras de artigos esportivos, a Adidas e a Puma.

Com o subtítulo Adidas, Puma e os bastidores do esporte moderno, o livro traz como chamada Três listas, dois irmãos, uma briga, e relata com enorme riqueza de detalhes as várias fases da luta fratricida que se estendeu por sucessivas gerações de uma mesma família, desde a separação da empresa original, chamada Gerbrüder Dassler, ainda nos idos da década de 1930.

Como apaixonado confesso por esportes, adorei a leitura. Mas acredito, sinceramente, que o livro possa ser do agrado também de pessoas que não sejam nem praticantes nem fanáticas por qualquer time ou modalidade de esporte. Isso porque o livro contém dados e informações sobre a evolução da relação entre esportes, marketing e finanças, chamando a atenção para aspectos que, na maior parte das vezes, não chegaram a ser conhecidos pela esmagadora maioria das pessoas.

A disputa iniciada com os irmãos Adolf e Rudolf Dassler, fundadores, respectivamente, da Adidas e da Puma, e continuada por seus filhos Horst e Armin, apresentou, em sua longa trajetória, momentos de grande tensão, algo difícil de se imaginar se considerarmos que as duas empresas possuem suas sedes em Herzogenaurach, uma cidade que possui atualmente cerca de 24.000 habitantes, situada a pouco mais de 20 quilômetros à noroeste de Nuremberg, na região da Francônia, Alemanha, separadas apenas pelo rio que atravessa a cidade.

Paralelamente à acirrada disputa levada a cabo pelas duas empresas, o livro mostra o avanço do profissionalismo no esporte, com as diferentes etapas da transição do amadorismo puro, quando um atleta podia ser severamente punido por receber qualquer recompensa financeira, até o excesso de profissionalismo que caracteriza a situação atual, em que os atletas - sobretudo os de alto nível - conseguem obter valores elevadíssimos pelos diferentes tipos de contratos que assinam na fase mais produtivas de suas carreiras.

Outro aspecto interessantíssimo focalizado pelo livro diz respeito às relações, nem sempre transparentes e éticas, travadas entre os executivos das duas empresas e os principais dirigentes das entidades que regulamentam o esporte em todo o mundo, envolvendo clubes, federações e confederações, tanto nacionais como internacionais.

Para que o amigo internauta tenha uma noção de até que ponto chegou a disputa entre a Adidas e a Puma, basta dizer que por estarem tão preocupadas uma com a outra, ambas não conseguiram perceber e avaliar o impacto do surgimento de novas concorrentes como a Nike e a Reebok, que alteraram completamente o mercado desse segmento.

Como acompanhante inveterado do esporte há muitos anos, fiquei com a impressão de que a autora do livro, Barbara Smit, não seja grande entendida do assunto, sendo o livro, portanto, o resultado de um exaustivo trabalho de pesquisa por ela desenvolvido. Tal impressão deriva de algumas informações imprecisas constantes no texto, tais como a afirmação de que Beckenbauer, o grande craque alemão, jogava na lateral, ou a que afirma que o número de participantes da Copa do Mundo de futebol passou de 14 para 24 países, quando na verdade foi de 16 para 24, de 1982 a 1994, passando a 32 países a partir da Copa de 1998, disputada e vencida pela França.

Tais imprecisões, no entanto, não são suficientes para reduzir o interesse pelo livro ou para empanar a qualidade da pesquisa empreendida pela autora.

Em sua fase final, o livro aborda as estratégias adotadas pelas duas empresas após a morte de seus principais executivos, ambos da família Dassler, quando a Adidas e a Puma passaram por processos de profissionalização gerencial e adotaram novas estratégias com vistas a recuperar a saúde financeira, sendo obrigadas, para tanto, a diversificar suas linhas de produção e a atuar não apenas na confecção de artigos destinados à prática de esportes, mas também no segmento de produtos de grife, como pode ser observado nas tendências e lançamentos dos principais centros da moda da Europa e dos Estados Unidos, logo acompanhadas pelas populações de outras partes do mundo.

Àqueles que seguirem minha recomendação e lerem este livro, uma certeza: a visão que possuem do esporte jamais será a mesma, principalmente se esta for uma visão positiva e romântica, incapaz de enxergar os subterrâneos e os bastidores, parcialmente visitados ao longo da leitura.





 

 

 

 

 

 

 



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