Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.












Promovido para Série A
Luiz Alberto Machado -05/05/2008

Com certeza, tem muito internauta torcedor do Corinthians sonhando com esta manchete no final do ano. A eles, só me resta, por enquanto, desejar muita sorte – e empenho – ao longo da disputa da Série B, que se inicia no próximo fim de semana.

Com este título, estou me referindo, em realidade, a uma notícia auspiciosa para o Brasil, divulgada nos últimos dias de abril: a elevação do nosso país à categoria de investment grade, pela Standard & Poor’s, uma das mais respeitadas agências internacionais de classificação de risco.

Tal elevação corresponde, no futebol, à promoção de uma equipe à Série A, onde ela tem a chance de disputar o campeonato com as equipes mais importantes, obtendo com isso uma série de vantagens, tais como maior visibilidade, valorização de sua imagem, exposição de seus jogadores à mídia, e maior possibilidade, pelo menos em tese, de realização de bons negócios.

No cenário econômico mundial, a elevação à categoria de investment grade sinaliza para o mundo todo que o país está capacitado a receber fluxos de investimentos externos por reunir condições monetárias, fiscais, cambiais e institucionais satisfatórias.

Num importante seminário promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito. Financiamento e Investimento (Acrefi), realizado no segundo semestre do ano passado, a obtenção da condição de investment grade pelo Brasil foi apontada como certa, só que a maioria dos especialistas acreditava que ela só viria em 2009 ou 2010. Por esse motivo, a notícia foi recebida com surpresa, já que não se imaginava que viesse tão cedo.

Apesar da surpresa, vale lembrar que dos chamados BRICs, o grupo dos grandes países emergentes, o Brasil foi o último a receber o investment grade, e assim mesmo com a nota mínima, ou seja, BBB-, ao lado da Índia, e abaixo da  China, que tem A, e da Rússia, que tem BBB+. Também a África do Sul, outro país emergente que disputa com o Brasil a preferência dos investidores internacionais, está classificada com BBB+.

A seguir, a classificação geral da Standard & Poor’s, que forma, com a Moody’s e a Fitch, a trinca das mais respeitadas agências internacionais de classificação de risco:

(1) Grau de Investimento: (AAA) – Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Canadá; (AA+) – Bélgica e Nova Zelândia ; (AA) – Japão e Hong Kong; (AA-) – Portugal e Arábia Saudita; (A+) – Chile; (A) – China e Botswana; (A-) – Polônia e Malásia; (BBB+) – África do Sul, México e Hungria; (BBB) – Tunísia e Croácia; (BBB-) – Brasil, Índia, Cazaquistão e Romênia.

(2) Grau especulativo: (B+) – Argentina; (B-) Bolívia; (BB+) – Peru e Colômbia; (BB-) - Venezuela, Turquia e Ucrânia; e (CCC+) – Líbano.

Como o amigo internauta pode observar, a promoção para a Série A representa uma conquista que deve ser celebrada. Porém, a exemplo do que ocorre nos campeonatos de futebol, nossa classificação indica que ainda é preciso evoluir bastante, pois na Série A ainda estamos entre os chamados pequenos, tendo à nossa frente uma série de países que compõem o bloco dos times médios, além do seleto grupo de países que equivalem aos times grandes, que estão quase sempre conquistando os principais títulos.

Sem dúvida, no entanto, a notícia merece ser comemorada, pois demonstra que o Brasil encontra-se, atualmente, numa condição muito melhor do que a de anos atrás, quando era visto como um país de elevado risco. Representa, ademais, o reconhecimento do acerto da política econômica, que, em linhas gerais, foi definida no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a substituição, no início de 1999, do regime de bandas cambiais pelo de metas de inflação. A política monetária austera, conduzida primeiro por Armínio Fraga, e posteriormente por Henrique Meirelles, alvo de tantas críticas ao longo dos últimos anos, também deve ser elogiada, pois tem sido fundamental para a manutenção da estabilidade, a tão duras penas conquistada. Mérito, nesse aspecto, para o presidente Lula, que teve o bom senso de dar continuidade aos eixos centrais da política econômica iniciada por seu antecessor, mesmo sendo obrigado, para isso, a bater de frente com muitos de seus antigos assessores, que insistiam no afrouxamento da política monetária para favorecer a retomada de um crescimento econômico mais expressivo.

Voltando à comparação com o futebol, concluo dizendo que para permanecer na Série A, evitando o fantasma do rebaixamento que está freqüentemente rondando os times pequenos, o Brasil precisa seguir trabalhando duro, reduzindo as despesas correntes do governo e implementando as reformas do Estado há muito anunciadas, mas sempre adiadas, entre as quais a tributária, a previdenciária e a trabalhista. Além disso, é preciso  melhorar as condições da infra-estrutura e tornar mais favorável o ambiente para a realização de negócios no País, com ações corajosas na direção da desregulamentação e da desburocratização.

Convido-o, pois, amigo internauta, para torcer junto comigo para que o Brasil continue treinando exaustivamente, única maneira de estar em forma para fazer as jogadas que poderão garantir não apenas a sua permanência na Série A, afastando de vez o vexame do rebaixamento, mas também, quem sabe, sua ascensão para o grupo dos médios ou dos grandes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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