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Promovido para Série A
Luiz
Alberto Machado -05/05/2008
Com certeza, tem muito internauta torcedor do Corinthians sonhando com esta manchete no final do ano. A eles, só me resta, por enquanto, desejar muita sorte – e empenho – ao longo da disputa da Série B, que se inicia no próximo fim de semana.
Com este título, estou me referindo, em realidade, a uma notícia auspiciosa para o Brasil, divulgada nos últimos dias de abril: a elevação do nosso país à categoria de investment grade, pela Standard & Poor’s, uma das mais respeitadas agências internacionais de classificação de risco.
Tal elevação corresponde, no futebol, à promoção de uma equipe à Série A, onde ela tem a chance de disputar o campeonato com as equipes mais importantes, obtendo com isso uma série de vantagens, tais como maior visibilidade, valorização de sua imagem, exposição de seus jogadores à mídia, e maior possibilidade, pelo menos em tese, de realização de bons negócios.
No cenário econômico mundial, a elevação à categoria de investment grade sinaliza para o mundo todo que o país está capacitado a receber fluxos de investimentos externos por reunir condições monetárias, fiscais, cambiais e institucionais satisfatórias.
Num importante seminário promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito. Financiamento e Investimento (Acrefi), realizado no segundo semestre do ano passado, a obtenção da condição de investment grade pelo Brasil foi apontada como certa, só que a maioria dos especialistas acreditava que ela só viria em 2009 ou 2010. Por esse motivo, a notícia foi recebida com surpresa, já que não se imaginava que viesse tão cedo.
Apesar da surpresa, vale lembrar que dos chamados BRICs, o grupo dos grandes países emergentes, o Brasil foi o último a receber o investment grade, e assim mesmo com a nota mínima, ou seja, BBB-, ao lado da Índia, e abaixo da China, que tem A, e da Rússia, que tem BBB+. Também a África do Sul, outro país emergente que disputa com o Brasil a preferência dos investidores internacionais, está classificada com BBB+.
A seguir, a classificação geral da Standard & Poor’s, que forma, com a Moody’s e a Fitch, a trinca das mais respeitadas agências internacionais de classificação de risco:
(1) Grau de Investimento: (AAA) – Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Canadá; (AA+) – Bélgica e Nova Zelândia ; (AA) – Japão e Hong Kong; (AA-) – Portugal e Arábia Saudita; (A+) – Chile; (A) – China e Botswana; (A-) – Polônia e Malásia; (BBB+) – África do Sul, México e Hungria; (BBB) – Tunísia e Croácia; (BBB-) – Brasil, Índia, Cazaquistão e Romênia.
(2) Grau especulativo: (B+) – Argentina; (B-) Bolívia; (BB+) – Peru e Colômbia; (BB-) - Venezuela, Turquia e Ucrânia; e (CCC+) – Líbano.
Como o amigo internauta pode observar, a promoção para a Série A representa uma conquista que deve ser celebrada. Porém, a exemplo do que ocorre nos campeonatos de futebol, nossa classificação indica que ainda é preciso evoluir bastante, pois na Série A ainda estamos entre os chamados pequenos, tendo à nossa frente uma série de países que compõem o bloco dos times médios, além do seleto grupo de países que equivalem aos times grandes, que estão quase sempre conquistando os principais títulos.
Sem dúvida, no entanto, a notícia merece ser comemorada, pois demonstra que o Brasil encontra-se, atualmente, numa condição muito melhor do que a de anos atrás, quando era visto como um país de elevado risco. Representa, ademais, o reconhecimento do acerto da política econômica, que, em linhas gerais, foi definida no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a substituição, no início de 1999, do regime de bandas cambiais pelo de metas de inflação. A política monetária austera, conduzida primeiro por Armínio Fraga, e posteriormente por Henrique Meirelles, alvo de tantas críticas ao longo dos últimos anos, também deve ser elogiada, pois tem sido fundamental para a manutenção da estabilidade, a tão duras penas conquistada. Mérito, nesse aspecto, para o presidente Lula, que teve o bom senso de dar continuidade aos eixos centrais da política econômica iniciada por seu antecessor, mesmo sendo obrigado, para isso, a bater de frente com muitos de seus antigos assessores, que insistiam no afrouxamento da política monetária para favorecer a retomada de um crescimento econômico mais expressivo.
Voltando à comparação com o futebol, concluo dizendo que para permanecer na Série A, evitando o fantasma do rebaixamento que está freqüentemente rondando os times pequenos, o Brasil precisa seguir trabalhando duro, reduzindo as despesas correntes do governo e implementando as reformas do Estado há muito anunciadas, mas sempre adiadas, entre as quais a tributária, a previdenciária e a trabalhista. Além disso, é preciso melhorar as condições da infra-estrutura e tornar mais favorável o ambiente para a realização de negócios no País, com ações corajosas na direção da desregulamentação e da desburocratização.
Convido-o, pois, amigo internauta, para torcer junto comigo para que o Brasil continue treinando exaustivamente, única maneira de estar em forma para fazer as jogadas que poderão garantir não apenas a sua permanência na Série A, afastando de vez o vexame do rebaixamento, mas também, quem sabe, sua ascensão para o grupo dos médios ou dos grandes.
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