Tenho 51 anos, sou economista pela Universidade Mackenzie (1977), com especialização em Desenvolvimento Latino Americano pela Boston University, em Criatividade pela Creative Education Foundation, em Aprendizagem Acelerada pela International Alliance for Learning e em Tecnologia Educacional pela FAAP.

Sou vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e coordenador dos cursos in company da FAAP Pós-Graduação.

Sou também membro do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e do Conselho Superior da Ordem dos Economistas.

O que poucos sabem é que me tornei intelectual porque "esqueci de crescer", uma vez que até os 18 anos de idade, joguei basquete nas principais equipes de São Paulo, como Pinheiros, Sírio e Palmeiras, tendo integrado as seleções paulista e brasileira em diversas categorias menores.

Posteriormente, continuei jogando nas equipes principais do Pinheiros e do Paulistano. Atualmente, disputo campeonatos de veteranos pela equipe do Pinheiros, participando também de campeonatos brasileiros, pan-americanos e mundiais pelas seleções paulista e brasileira.

Apaixonado por esportes, é essa faceta que mostrarei nesta coluna, escrevendo sobre este assunto, mesclando comentários sobre as competições e seus bastidores, esclarecimentos sobre as diversas modalidades, resenhas dos livros que versam sobre o tema e procurando compartilhar lições aprendidas nas quadras esportivas que me têm sido extremamente úteis na vida profissional.












Nuvens cinzentas sobre as Olímpiadas de Pequim
14/04/2008

Apaixonados pelo esporte, como eu, devem andar bastante preocupados com o que poderá ocorrer na próxima edição dos Jogos Olímpicos, cujo início ocorrerá no dia 8 de agosto, em Pequim.

Tal preocupação acentuou-se nos últimos dias, diante das manifestações realizadas em diversas localidades, por ocasião da passagem da tocha olímpica. Em Londres e Paris, onde as manifestações foram mais violentas, alguns manifestantes tentaram inclusive apagar a chama, como forma de protesto contra a repressão chinesa às ações favoráveis à independência do Tibete.

Cria-se, assim, um clima de expectativa extremamente negativo a menos de quatro meses do início das competições.

Os debates e as discussões a respeito do assunto já extrapolaram a seara esportiva, chegando ao plano político em muitos países e, até mesmo, em organismos multilaterais, como o Parlamento Europeu, que , na semana passada, pediu formalmente aos chefes de governo que não compareçam à cerimônia de abertura se, até lá, a China não iniciar negociações com o Dalai-Lama sobre a situação do Tibete.

Em novembro do ano passado, quando esteve na FAAP para ministrar uma palestra no lançamento de seu livro O Ano do Galo, o francês Guy Sorman deu especial ênfase à forma desumana com que o Partido Comunista Chinês trata com vozes discordantes, citando inclusive vários exemplos por ele narrados em seu livro. Pouco mais de dois meses depois, no dia 30 de janeiro de 2008, o mesmo Guy Sorman teve publicado pelo Diário do Comércio um artigo intitulado Os jogos da repressão, no qual se antecipava, de certa forma, aos recentes acontecimentos.

Para aqueles que têm forte envolvimento com o esporte, os Jogos Olímpicos se constituem em eventos muito especiais, aguardados com enorme ansiedade a cada ciclo de quatro anos. Atletas, treinadores, patrocinadores e a própria mídia programam suas atividades com grande antecedência, num processo de preparação que envolve muito esforço e muito dinheiro. Torcedores mais fanáticos, por sua vez, acompanham atentamente todos esses preparativos, na expectativa por competições de alto nível que põem frente a frente os maiores esportistas do planeta.

Por enquanto, as especulações têm se limitado a retaliações diplomáticas e, apenas remotamente, consideram a possibilidade de repetição dos boicotes verificados nas Olimpíadas da década de 80, quando houve acentuado esvaziamento das competições em Moscou (1980), Los Angeles (1984) e Seul (1988).

A simples hipótese dessa possibilidade, porém, já é suficiente para deixar assustados os verdadeiros amantes do esporte, que ficam extremamente frustrados ante a perspectiva de perderem a rara oportunidade de assistir aos incríveis duelos dos grandes nomes do esporte mundial.
Aliás, a imagem de diversas modalidades esportivas já vem sendo arranhada ultimamente, graças às recorrentes notícias dando conta do uso cada vez mais disseminado de doping por renomados campeões.

Diante de tudo isso, resta-me apenas torcer para que as nuvens cinzentas que ora são vistas nos céus de Pequim possam se dissipar até agosto, não se transformando numa tempestade capaz de gerar profundas frustrações para milhões e milhões de pessoas direta e indiretamente ligadas ao esporte em todos os quadrantes do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 



 

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