| Faça
a sua parte, faça bem-feito e, principalmente, faça com amor.
Ruy
Marum - 03/08/2006
O Paulo me convidou para escrever para o seu
site, aliás convite que me deixou lisonjeado e que de pronto aceitei. Me veio
a pergunta, sobre o quê? Sobre publicidade (meu negócio), marketing, sobre o país,
o Lula, os juros? Começo o texto e, nada. Deleto.
Tanto bombardeio na
mídia falando a mesma coisa. Começo outro texto, outro enfoque, outro tema e,
nada. Deleto. O tempo passando e com ele a angustia, mas o que poderia ser dito
e de que maneira? Fico aqui divagando, esse texto deve ser sadio, sadio que eu
digo é com conteúdo gostoso, que valha a pena ser lido. Foi então que aconteceu,
veio a luz numa visita feita na tarde de 2 de agosto, uma rotineira visita de
prospecção me mostrou sinais que chamaram a atenção e que acredito vale ser compartilhada
com você que está me lendo.
Iniciados os contatos para agendamento, me
deparei com uma atendente muito simpática, que prontamente agendou a visita, que
desmarcou e remarcou, justificando que sua diretoria também estaria presente,
trocamos e-mails de confirmação e lá fui eu para Diadema.
Tarde fria de
inverno, parei meu carro em frente à empresa o que prontamente um guardinha de
segurança me perguntou se eu ia alí, disse que sim, me autorizou a estacionar
o carro na vaga reservada à diretoria. Se a primeira impressão é a que fica, então
vamos lá, fui bem recebido, em contra-partida o prédio era assustador (o site
mostrava o contrário), a recepção não tinha ninguém para me receber a não ser
o guardinha e meia dúzia de peixinhos num aquário, limpinho.
A recepção,
pintada de cinza e com lâmpadas queimadas dava a sensação de o último que sair
apaga a luz. O cidadão perguntou meu nome, o da empresa e o número de minha identidade,
preencheu uma ficha e ligou para a pessoa que me aguardava. Para entrar na fábrica
me deram um crachá. É preciso usar o protetor auricular? Perguntou a pessoa que
me aguardava, devidamente uniformizada, ao guardinha da recepção.
Foi
ai que pensei com meus botões, com tanta preocupação e cuidados com a segurança,
a fachada e a recepção daquele jeito, só pode ser para disfarçar. O que será que
tem essa fábrica de tão especial? Com a visita pude perceber que nada, a não ser
equipamentos que apesar de obsoletos, produziam ainda bem. Um tour pela produção,
acompanhado ainda por um vendedor que me explicava cada detalhe das virtudes técnicas
da empresa.
Agora temos ISO 9000, comentava ele, com uma ponta de orgulho.
Após a visita, convidou, vamos subir e tomar um café, claro, vendi o meu peixe,
falei de nosso portfólio, elogiaram, mas também fizeram questão de vender o deles.
Afinal, não precisavam de nosso trabalho, falavam muito, e, nas entrelinhas, pude
perceber uma certa carência, talvez afetiva, precisavam falar, defendiam com galhardia
a empresa que representavam, pareciam abandonados, mas não estavam.
Tinham
a eles, talvez treinados, talvez não, instinto, bom senso? Tomamos mais um café
e me despedi, fizeram questão de me acompanhar até a recepção, me despedi novamente,
estava saindo quando aquele vendedor me cobrou o crachá que estava em meu peito,
esquecido. Aquela aparência de decadência havia desaparecido de minhas impressões,
faziam questão de ser impecáveis em cada detalhe, tudo muito simples e natural,
a xícara, o crachá, o protetor auricular, os sorrisos.
Ali havia calor
humano, não que não houvesse em outras tantas empresas que já visitei, mas havia
orgulho por aquilo que faziam, defendiam a empresa que representavam, havia sinceridade
nas palavras. Assim, todas aquelas impressões negativas ficaram para trás, inclusive
aquela sensação do perdi a viagem.
A viagem não foi perdida, tive a oportunidade
de conhecer gente nova e interessante, que ama o que faz, desinteressadamente.
No longo caminho de volta pensei, que falta fazem esses dois para muitas empresas,
que falta faz mais gente assim para o Brasil!
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