Ruy Marum S. Filho, é publicitário, formado pela ESPM, é sócio-diretor da JTA Conceitos Comunicação, empresa especializada em estratégias de negócios e comunicação.

Com forte atuação na área do marketing editorial conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais pela qualidade editorial e de design de suas publicações.

É conselheiro do Instituto da Cidadania Brasil.











Faça a sua parte, faça bem-feito e,
principalmente, faça com amor.

Ruy Marum - 03/08/2006


O Paulo me convidou para escrever para o seu site, aliás convite que me deixou lisonjeado e que de pronto aceitei. Me veio a pergunta, sobre o quê? Sobre publicidade (meu negócio), marketing, sobre o país, o Lula, os juros? Começo o texto e, nada. Deleto.

Tanto bombardeio na mídia falando a mesma coisa. Começo outro texto, outro enfoque, outro tema e, nada. Deleto. O tempo passando e com ele a angustia, mas o que poderia ser dito e de que maneira? Fico aqui divagando, esse texto deve ser sadio, sadio que eu digo é com conteúdo gostoso, que valha a pena ser lido. Foi então que aconteceu, veio a luz numa visita feita na tarde de 2 de agosto, uma rotineira visita de prospecção me mostrou sinais que chamaram a atenção e que acredito vale ser compartilhada com você que está me lendo.

Iniciados os contatos para agendamento, me deparei com uma atendente muito simpática, que prontamente agendou a visita, que desmarcou e remarcou, justificando que sua diretoria também estaria presente, trocamos e-mails de confirmação e lá fui eu para Diadema.

Tarde fria de inverno, parei meu carro em frente à empresa o que prontamente um guardinha de segurança me perguntou se eu ia alí, disse que sim, me autorizou a estacionar o carro na vaga reservada à diretoria. Se a primeira impressão é a que fica, então vamos lá, fui bem recebido, em contra-partida o prédio era assustador (o site mostrava o contrário), a recepção não tinha ninguém para me receber a não ser o guardinha e meia dúzia de peixinhos num aquário, limpinho.

A recepção, pintada de cinza e com lâmpadas queimadas dava a sensação de o último que sair apaga a luz. O cidadão perguntou meu nome, o da empresa e o número de minha identidade, preencheu uma ficha e ligou para a pessoa que me aguardava. Para entrar na fábrica me deram um crachá. É preciso usar o protetor auricular? Perguntou a pessoa que me aguardava, devidamente uniformizada, ao guardinha da recepção.

Foi ai que pensei com meus botões, com tanta preocupação e cuidados com a segurança, a fachada e a recepção daquele jeito, só pode ser para disfarçar. O que será que tem essa fábrica de tão especial? Com a visita pude perceber que nada, a não ser equipamentos que apesar de obsoletos, produziam ainda bem. Um tour pela produção, acompanhado ainda por um vendedor que me explicava cada detalhe das virtudes técnicas da empresa.

Agora temos ISO 9000, comentava ele, com uma ponta de orgulho. Após a visita, convidou, vamos subir e tomar um café, claro, vendi o meu peixe, falei de nosso portfólio, elogiaram, mas também fizeram questão de vender o deles. Afinal, não precisavam de nosso trabalho, falavam muito, e, nas entrelinhas, pude perceber uma certa carência, talvez afetiva, precisavam falar, defendiam com galhardia a empresa que representavam, pareciam abandonados, mas não estavam.

Tinham a eles, talvez treinados, talvez não, instinto, bom senso? Tomamos mais um café e me despedi, fizeram questão de me acompanhar até a recepção, me despedi novamente, estava saindo quando aquele vendedor me cobrou o crachá que estava em meu peito, esquecido. Aquela aparência de decadência havia desaparecido de minhas impressões, faziam questão de ser impecáveis em cada detalhe, tudo muito simples e natural, a xícara, o crachá, o protetor auricular, os sorrisos.

Ali havia calor humano, não que não houvesse em outras tantas empresas que já visitei, mas havia orgulho por aquilo que faziam, defendiam a empresa que representavam, havia sinceridade nas palavras. Assim, todas aquelas impressões negativas ficaram para trás, inclusive aquela sensação do perdi a viagem.

A viagem não foi perdida, tive a oportunidade de conhecer gente nova e interessante, que ama o que faz, desinteressadamente. No longo caminho de volta pensei, que falta fazem esses dois para muitas empresas, que falta faz mais gente assim para o Brasil!




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E. Cassola09/08/2006ecassola@terra.com.br

Caro Marum

O conhecimento é uma artefato fundamental, porém se não houver AMOR NO QUE SE FAZ .....

Abraços
Cassola


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