Sandra Noronha, com formação em Administração de Empresas pela UNIP, especialização em Gerenciamento Financeiro pela Unib e Gestão de Negócios com Ênfase em Marketing pela ESPM/SP, é administradora da Clínica Oncológica O. Feher - SP.










Esporte Adaptado - Muito além do bem-estar físico*

Sandra Noronha - 29.07.07

Como conseqüência de toda uma herança econômica, social, cultural e histórica, as pessoas com deficiência eram subestimadas ou super-protegidas, e em muitos casos até mesmo privadas do convívio social. Através de muita luta o movimento em prol destas pessoas foi ganhando força. Juntaram-se parentes, amigos e simpatizantes. E assim, aos poucos, as pessoas com deficiência foram conquistando o seu lugar na sociedade e na mídia.

Para contribuir com este movimento surgiu o esporte adaptado, que acabou tornando-se uma forte ferramenta para a inclusão social. A pessoa com deficiência, através do esporte adaptado, que inicialmente era utilizado como uma ferramenta de reabilitação, além do natural bem-estar físico, fortalece todas as habilidades necessárias para o desenvolvimento individual e social.

O esporte adaptado vem mostrando muita eficiência por suas características de reconhecimento da deficiência, onde ela é exposta de forma digna e realista, desenvolvimento psicomotor, melhora da auto-estima, aumento das relações inter-pessoais, independência e autonomia locomotora, de acordo com as diferentes necessidades decorrentes de cada tipo e grau de deficiência. Todos estes fatores colaboram de maneira incisiva para a valorização da pessoa com deficiência e motivação para enfrentar todas as barreiras sociais encontradas ainda hoje.

Vale ressaltar que não se pode falar em inclusão social sem que as pessoas com deficiência sejam identificadas como um grupo e a que a sociedade, por sua vez, entenda as relações deste grupo com o meio físico e cultural, além da diversidade existente em cada deficiência.

Para a prática dos desportos adaptados foi necessária a criação de um sistema de avaliação do praticante, que busca, através de um criterioso estudo das seqüelas físicas, visuais ou intelectuais do indivíduo, subdividir os praticantes e atletas em classes funcionais que possibilitam nivelar atletas portadores de lesões diferentes a fim de disputar em condições de igualdade a modalidade escolhida. Cada modalidade tem sua classificação funcional específica que condiz com as necessidades e características da biomecânica, regras e dinâmica do jogo.

No Brasil, as primeiras entidades ligadas ao esporte adaptado surgiram há 45 anos, com o surgimento dos primeiros clubes voltados ao portador de deficiência. Porém, pouco se ouvia falar sobre isso e a evolução do esporte adaptado em nosso país se deu através de profissionais independentes que, solidarizados à causa, buscaram conhecimento e desenvolveram a ciência no treinamento e a preparação física adaptada.

Mesmo sem o apoio necessário, graças à garra e ao excelente desempenho de nossos paradesportistas, o esporte adaptado vem conquistando seu espaço na mídia e na sociedade, favorecendo a inclusão social e, ainda mais, a quebra de paradigmas. Nas últimas edições dos Jogos Paraolímpicos os nossos paradesportistas conquistaram excelentes resultados trazendo 22 medalhas de Sydney e 33 medalhas de Atenas, sendo 14 de ouro, desempenho este superior ao de nossa equipe olímpica.

Hoje, o Brasil, apesar de todas as suas dificuldades sociais, apresenta-se no universo paraolímpico como uma grande potência mundial. Um dos fatores que infelizmente contribuem para isso é o grande percentual de pessoas portadoras de deficiência em nosso país, que chega a 14 por cento da população. Não é difícil encontrar entre a população deficiente pessoas com seqüelas de poliomielite, patologia totalmente erradicada nos países de primeiro mundo há décadas, e vítimas de FAF (Ferimento a Arma de Fogo), além de lesões traumáticas em vítimas de acidentes de trânsito. A maioria desses casos, bem como a discriminação e exclusão social, podem ser evitados a partir de ações de educação e conscientização de nossa sociedade.

Portanto, o esporte adaptado está cada vez mais colaborando para a inclusão e melhoria da qualidade de vida, trazendo de maneira prazerosa e sadia uma oportunidade real de interagir sem distinção em nossa sociedade.

Co-Autor: Fabrício Vieira: Diretor Esportivo do Clube Paradesportivo Superação e treinador. Cref.: 22.514




 

11/06/07
Quem não é visto não é lembrado