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Por Fabiana Tamizari
Hoje encontramos na sociedade brasileira um discurso que
enfatiza o papel da educação no processo de
transformação de nossa realidade, marcada pela
desigualdade social, que leva a um cenário de violência,
miséria e a falta de direitos básicos para os
cidadãos.
Infelizmente o discurso não acompanha a prática,
um dos exemplos mais notáveis disso é a situação
dos professores, tanto na rede pública quanto na privada,
apesar de serem fundamentais para um real processo de transformação,
são considerados culpados pelo fracasso educacional
brasileiro e desvalorizados pela sociedade. Recai sobre os
professores a responsabilidade sobre o desinteresse, a evasão
e a indisciplina dos alunos, porém são esquecidas
as condições de trabalho em que estes atuam.
A violência, é um exemplo disso.
Além da violência física e agressões
verbais entre os alunos e muitas vezes dirigidas aos professores
e funcionários, cabe ao educador também lidar
com as situações externas como a violência
doméstica e abusos sexuais que são sofridos
por muitos educandos. A indisciplina e falta de interesse
são apontados também como responsabilidade dos
professores, porém cabe ressaltar que o material disponível
nas escolas é a lousa e o giz, que por exemplo, para
entregar um texto xerocado para os alunos é necessário
que próprio educador pague, pois não há
verbas disponíveis para isso, além disso podem
ser apontados problemas estruturais como faltas de carteiras,
vidros, portas, etc.
O papel do professor perante a sociedade está associado
ao fracasso ou falta de opção por outra carreira,
baixos salários, jornadas de trabalho superiores a
50 horas semanais, falta de estímulo e reconhecimento
completam este quadro. Poucas instituições,
como o Instituto da Cidadania, preocupam-se com a valorização
das ações positivas empreendidas pelos educadores,
que mesmo como todo a situação apresentada acima,
acreditam no seu real valor e buscam cumprir a papel de transformar
a nossa dura realidade.
Com certeza essas ações, além do resultado
imediato buscado pelos projetos desenvolvidos, tem um valor
em longo prazo que é a educação pelo
exemplo, pois mostra aos alunos que ele é um agente
transformador. Que está nas mãos dele o poder
de mudar, seja a sua vida ou da comunidade onde vive.
Quando esta valorização não for mais
exceção, mas sim uma regra, nós passaremos
do discurso para a prática, e o Brasil sem passe de
mágica se transformará em um país onde
buscaremos de verdade o fim da desigualdade social e assim
combateremos as suas conseqüências.
Fabiana Tamizari - professora de história junto a
E.E. Prof. Gabriel Ortiz
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