|
Escolas públicas
cujos alunos se saem bem no Exam Nacional do Ensino
Médio (Enem) também têm destaque
no vestibular da Fuvest, o maior e mais concorrido do
País. A constatação aparece em
um cruzamento de dados feito pela reportagem com os
resultados de estudantes de escolas estaduais da Capital
nos dois exames. Seis escolas que estão entre
as dez melhores colocadas no Enem também têm
o maior número de alunos ingressantes na Universidade
de São Paulo (USP) neste ano.
Em
2007, 1.511 alunos de escolas estaduais de São
Paulo foram aprovados na Fuvest - o número não
leva em consideração as escolas técnicas.
Cerca de 50%, ou 766, fizeram
o ensino médio na Capital e 83 estudaram nas
escolas que mais se destacaram no Enem.
A lista dos alunos aprovados, à qual a reportagem
teve acesso, mostra ainda que as escolas no topo dos
dois rankings estão, em sua maioria, em bairros
distantes da periferia. A Escola Estadual Andrônico
de Mello, primeira em número de aprovação
na USP, fica perto do Butantã. A Rui Bloem, campeã
no Enem, está na região da Saúde.
Há ainda escolas no Itaim Bibi, na Vila Nova
Conceição e na Lapa.
A
secretária do Estado da Educação,
Maria Helena Guimarães de Castro, pensa em criar
um projeto em que escolas melhores possam funcionar
como tutoras de outras com pior desempenho. "Os
professores das duas poderiam discutir estratégias
de aprendizagem", diz. Maria Helena foi uma das
criadoras do Enem, em 1998. Ela acredita que a coincidência
de escolas nos dois rankings pode ser explicada pelas
mudanças na prova da Fuvest nos últimos
anos. "Ela se aproximou do Enem", afirma.
São
dezenas de habilidades exigidas dos alunos que concluem
o ensino médio no Enem. Uma delas, por exemplo,
é a compreensão do papel da água,
que se insere na competência "fenômenos
da natureza" e não em disciplinas como geografia
ou biologia. Essa mudança pretendia dar diretrizes
às escolas e aprimorar o ensino médio.
O próximo exame acontece dia 26, com cerca de
3,5 milhões de participantes.
Nos
últimos anos, a Fuvest tem exigido cada vez menos
conteúdos memorizados, como fórmulas e
datas, e inseriu em 2006 10% de perguntas interdisciplinares
na prova. A
USP foi procurada, mas informou que não daria
entrevistas porque não havia divulgado oficialmente
os documentos aos quais a reportagem teve acesso. A
proximidade dos dois resultados, no entanto, não
faz com que especialistas acreditem que o Enem poderia
substituir o vestibular. "Ele não foi pensado
para ser um filtro, o objetivo é que todos tirem
boas notas", diz Nilson Machado, educador da USP
e especialista na avaliação.
Exceções
Apesar
das coincidências, há escolas que se destacam
em apenas um dos rankings. É o caso da Escola
Estadual Clemente Quaglio, na Vila Oratório,
Zona Leste. Ela é a sexta colocada entre as melhores
do Enem, mas não aprovou nenhum aluno na Fuvest
este ano. Por outro lado, a Brasílio Machado,
na Vila Mariana, teve 16 alunos matriculados na USP
e não aparece no ranking das dez melhores do
Enem. (O Estado de S. Paulo)
Como
os alunos encaram a sala de aula
A sala de aula é praticamente uma extensão
da casa do estudante. Nela, os alunos passam boa parte
da vida - período conhecido como fase escolar.
Só para se ter uma idéia, os momentos
em que o estudante passa na escola representam mais
de 30% do tempo útil no ano. Enfim, as salas
de aula se enquadram no melhor ou no pior das escolas?
Ao que tudo indica esta resposta pode variar de aluno
para aluno. As exigências são muitas e
vão desde a inclusão de pufes no lugar
de cadeiras até a divisão de salas por
sexo. O certo e notório é que os alunos
têm um carinho muito especial pela sala de aula
e quando são participantes de um ambiente limpo,
conservado e organizado há um zelo especial pelo
espaço, que inibe até mesmo nos atos de
vandalismo das quais as salas são vítimas
constantes.
Se
não há esse zelo, o cenário é
outro: "As carteiras estão sempre pichadas
e cheias de chicletes grudados, é um nojo",
escandaliza-se Isabele Pereira, 10 anos, aluna do 4º
ano da Emef Maria de Melo. Na mesma escola, em salas
com carteiras novas, a opinião é bem diferente.
"Acho minha sala bonita, adoro a minha carteira,
não rabisco, não arrasto e nem grudo chiclete,
também não deixo ninguém sentar
na minha carteira", disse Laura Garcia, 7 anos.
CONCENTRAÇÃO
- A sala de aula também tem grande influência
no aprendizado. Um espaço tranqüilizador
e aconchegante tende a proporcionar melhores condições
de concentração. "Uma sala de aula
mal-cuidada não desperta o prazer no aluno, a
sala tem que ser prazerosa e preparada para induzir
a concentração e despertar o interesse",
afirma a professora Rosa Gobbi.
Para
a diretora da EMEF Maria de Melo, em São José,
Mirian Pacheco, um espaço harmônico é
motivador e a arrumação da sala em formatos
variados propõe um ganho
na qualidade de ensino. "Os professores têm
plena liberdade para decorar e dispor as carteiras da
maneira que quiserem", afirma Mirian. "O jeito
de arrumar a sala influencia,
você vê a criança trabalhar melhor",
disse. "O trabalho em grupo também é
muito incentivado já que a presença do
colega é muito estimulante para a criança",
completa
a diretora.
Nas
salas iniciais, de alfabetização, a decoração
chamaa atenção. São cartazes, alfabeto,
lista de chamada, tudo para facilitar a identificação
das letras que servem de referência
para os pequenos. Mas a professora Helena Cogine faz
um alerta. "Não pode ser só enfeite,
tem que ter uma finalidade, um objetivo que sirva como
um apoio ao aluno", afirma.
Escola
adota carteira sextavada
Na
Emef Maria de Melo a grande novidade nas classes é
a nova carteira instalada nas salas iniciais (1º
ano). O formato sextavado permite encaixe perfeito das
mesas para
formação de grupos. "A mudança
das carteiras deixou minha filha mais entusiasmada,
ela tem mais vontade de ir pra aula", afirma Maria
das Dores Carvalho, mãe de Ana Carolina Silveira,
7 anos. Para Alessandra da Silva, mãe de Mariana
e Guilherme,
as novas carteiras ajudam na postura correta.
Para
a professora Helena Cogine, 42 anos, o trabalho em grupo
é produtivo. "Tem criança que já
está lendo e escrevendo bem e outros que não,
os que estão na frente ajudam os coleguinhas",
exemplifica. "Eu gostei muito. Dá pra conversar
com os colegas, fazer
roda, grupo de dois e três, muito melhor que a
carteiras velhas e sujas de antes", disse Amanda
Eduarda Andrade, 6 anos. Já para a pequena Laura
Garcia, 7 anos, fazer as
tarefas em grupo não é a melhor coisa
do mundo. "Ficou mais bonito, mas eu gosto mais
da fila reta, não gosto de gente do meu lado,
é melhor ficar sozinha na carteira."
Os
professores concordam que em uma sociedade moderna não
cabe mais aquele formato quadrado de ensino, os alunos
precisam participar e interagir na sala de aula.
LOUSA - As lousas brancas quadriculadas são um
grande avanço na sala de aula. Além de
melhorar a visibilidade do que está escrito e
da facilidade em manter a letra reta,
evita que os alunos das primeiras carteiras sofram com
o pó de giz, que pode ocasionar reações
alérgicas em crianças mais suscetíveis.
Fonte: Jornal da Tarde
|