A partir
de 2008, sociologia e filosofia serão matérias
obrigatórias do currículo oficial do ensino
médio. Para isso, o poder público terá
de garantir não só professores capacitados,
mas oferecer material de apoio para atender a demanda de todas
as escolas públicas do Brasil. Foi em tomo desse debate
que mais de 500 educadores se reuniram -de segunda-
feira até ontem - em São Paulo para a realização
do 1º Encontro Nacional sobre Ensino de Sociologia e
Filosofia.
Na ocasião,
a diretora do Departamento de Políticas do Ensino Médio
do Ministério da Educação (MEC), Lúcia
Helena Lodi, anunciou que o MEC, a partir de 2008, vai disponibilizar
às escolas públicas de ensino médio,
em vez de livros
didáticos, os clássicos de filosofia e sociologia
por meio do programa Biblioteca Escolar. "Estamos em
fase de levantamento de títulos refentes às
duas disciplinas para que em 2008 as escolas escolham os seus.
O número de livros vai variar de acordo com o número
de alunos por escola."
Importância
Para Emannuel
Appel, professor do Departamento de Filosofia da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), o acesso dos alunos às
obras clássicas da filosofia e sociologia é
fundamental. "Se os estudantes só lêem os
manuais de filosofia, acabam fazendo uma leitura de segunda
mão. Ao ler um clássico é que eles aprendem
a lidar com seus conflitos,
histórias e polêmicas. É preciso colocar
a força formativa desses livros a serviço dos
jovens".
Na opinião de Lúcia Helena, a inclusão
dessas disciplinas no currículo dá mais força
à formação do aluno. "As finalidades
do ensino médio como última etapa da educação
básica não serão atingidas plenamente
sem a formação que a filosofia e a sociologia
proporcionam ao estudante. Perto de 10% dos jovens que concluem
o ensino médio tentam ingressar na universidade. Então
temos de garantir que os alunos concluam de fato seu processo
de de escolarização básica, independentemente
do ingresso à universidade."
Capacitação
Os especialistas,
entretanto, são unânimes ao afirmar que de nada
adianta obrigar os alunos a estudar filosofia e sociologia
se os professores dessas disciplinas não estiverem
aptos. "O professor tem de estar capacitado para garantir
que o ensino seja de qualidade", afirma Lúcia
Helena. Adeum Sauer, secretário de Educação
da Bahia e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários
da Educação (Consed), destaca a necessidade
de especialização dos professores de sociologia
e filosofia. "O perigo é se os governos
não garantirem que profissionais especializados nessas
áreas dêem aula nas escolas.
No Brasil, sofremos com a escassez de professores de ensino
médio, mas acredito que
não enfrentaremos esse problema nas áreas de
filosofia e sociologia."
Fonte:
Estado de São Paulo
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