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Por
Paulo Saab, presidente do Instituto da Cidadania Brasil
O Instituto
da Cidadania Brasil e seus parceiros, incluindo a CNI através
do seu Conselho de Responsabilidade Social e o SESI, além
da Sony, Fundação Volkswagen, Arno, Fundação
Casper Líbero Assembléia Legislativa de São
Paulo e os governos do Estado de São Paulo e da cidade
de São Paulo, entregam hoje na Sala São Paulo
o Prêmio Construindo a Nação referente
às escolas do ensino médio do Estado de São
Paulo. A cerimônia dos demais estados da Federação
envolvida ocorrerá a partir do mês de abril.
Estarei,
neste ato de premiação de trabalhos dos estudantes
do estado de São Paulo, mencionando as considerações
que antecipo aqui por considerá-las pertinentes na
atualidade da educação no Brasil.
O maior
patrimônio de qualquer país é sua juventude.
São os jovens que inventam o futuro.Ao visitar a historia
das nações descobrimos que há poucas
garantias de que as conquistas ocorridas no passado se perpetuem
no futuro. No mundo de hoje as mudanças são
rápidas, as riquezas naturais de uma nação,
que sustentaram a prosperidade de várias gerações
podem de uma hora para outra se esgotar, os avanços
tecnológicos que garantiram por muitos anos a prosperidade
de uma região podem ser substituídos quase que
instantaneamente, por outras novas que surgem em outros locais.
Mas, apesar
da força e da velocidade das mudanças, sabemos
que uma das maneiras seguras de garantir um futuro melhor
à sociedade é cultivar na juventude a confiança
no futuro. Este é o fator que garante a prosperidade
econômica das nações, e é esta
confiança que permite a construção de
um país rico com desenvolvimento social equilibrado.O
jovem é a energia renovadora que cria e recria a prosperidade.
Foi tocado
por essa energia que o Brasil saiu da condição
de um país agrário na década de 30 se
industrializou nas décadas de 50 até o final
dos anos 90. Nós e nossos antecessores vivemos, durante
muitos anos, um ambiente de dinâmica prosperidade.Hoje
o cenário é diferente, roubamos o futuro do
Brasil. A nação brasileira mata, segrega, isola
e estupidifica a nossa juventude. No Brasil de hoje, nossos
jovens matam os jovens.
O menino
João Hélio, a menina Alana e outros que infelizmente
virão, são testemunhos e vítimas da morte
violenta que rouba o nosso futuro. Nossa taxa de homicídio
entre jovens, registra 52 vítimas num grupo de 100
mil, o que nos deixa apenas atrás da Colômbia
que convive com uma guerra civil e da Venezuela que se aproxima
de uma ruptura social. Há também jovens que
escaparam da morte, como a Priscila vítima de bala
perdida em tiroteio na zona sul de São Paulo.
Mas estes
por uma fatalidade se tornaram inválidos, e viverão
para sempre traumatizados e marcados pela força da
violência. Parte de nossos governantes acredita que
se trata de um problema social, "uma estratégia
de sobrevivência da classe menos favorecida" como
sugere o nosso Presidente Lula. Mas este argumento não
explica, por exemplo, os atos de jovens que atearam fogo em
um índio pataxó. Estes meninos pertenciam à
elite social de Brasília. Não há explicação
simples para a violência do Brasil.
Para os
jovens cuja sorte permitiu que escapassem do rude trato da
violência, as perspectivas não são melhores.
Na área da educação sabemos que, aproximadamente
55% dos alunos de 4ª série do ensino fundamental
têm desempenho crítico ou muito crítico
em língua portuguesa, de acordo com dados do último
teste do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica (SAEB). Este baixo desempenho em leitura também
atinge os alunos de anos posteriores de ensino, ou seja, a
cifra situa-se em torno de 38,6% dos alunos de 3ª série
do ensino médio. Para a disciplina de matemática,
as referencias citadas acima se repetem para ambos os níveis
de ensino.
Como
fruto desta dura realidade educacional e social a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD do IBGE),
nos revela que há no Brasil 4,4 milhões de jovens
com idade entre 15 e 24, desempregados.
O que
aconteceu com o Brasil? O que podemos fazer? Para reverter
estas cifras que revelam a destruição do tecido
da cidadania, devemos colocar como meta permanente do Estado
e da Sociedade Civil a imediata redução da violência,
a melhoria sólida e contínua da qualidade do
ensino, e a ampliação das oportunidades de ocupação
econômica dos jovens.
Somente
ações efetivas que permitirão resgatar
a esperança destes jovens. A reconstrução
de um ciclo virtuoso, com liberdade para viver sem sustos
nas ruas das cidades, com confiança na prosperidade
do país, depende de uma educação que
transforme a apatia, a ignorância, a brutalidade em
efetiva cidadania.
É
na perspectiva de contribuir para resgatar os valores germinais
do Estado de Direito que o Instituto da Cidadania Brasil promove
o Prêmio Construindo a Nação.O Prêmio
Construindo a Nação não é apenas
uma peça de literatura sobre cidadania, é muito
mais.
É
a possibilidade de participar da construção
de uma nova relação entre a sociedade e o Estado.
Não estamos preocupados apenas em aprender ou ensinar
cidadania, mas, em fazer cidadania.
Cada aluno
de cada escola através do projeto "Construindo
a Nação" transforma a realidade em sua
volta.
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