Atividades extras com bom senso

 

Agenda repleta de compromissos não é só coisa de adulto. Stefani Aparecida Silva Pereira, de 12 anos, por exemplo, levanta cedo todos os dias para fazer suas atividades no Centro Social São José, no bairro do Limão, onde, conforme a programação do dia, faz cursos de inglês, italiano, dança, coral, bordado e tricô das 7h40 às 10h45. Na seqüência, volta para casa, almoça e segue para a Escola Estadual Padre Manoel da Nóbrega, na Casa Verde, Zona Norte, onde cursa a sexta série das 13h às 18h20. Nas horas que "sobram" no início da noite, ela aproveita para fazer a sua lição de casa, brincar um pouco ou ver televisão. E no final de semana tem mais: aos sábados, ela pratica natação no programa Caminho
da Criança e do Adolescente (CCA) do clubeACM Norte.
Stefani garante que a única coisa que a incomoda nessa agitada rotina diária é ter de levantar cedo. "Mas não fico cansada. Aprendo muitas coisas interessantes e até já fiz algumas peças de tricô para minha mãe", completa a estudante, que gosta muito de estudar e sonha ser veterinária.
Proporcionar uma formação completa à filha foi o que motivou Cristiane Aparecida
Silva Pereira, mãe de Stefani, a inscrever a garota no programa de cursos.
"Em vez de ficar um tempão em frente à tevê ou ao computador, é muito melhor aprender coisas úteis para o futuro ", argumenta a mãe.
Atividades extracurriculares realmente podem ajudar muito na formação global das crianças, mas, de acordo com especialistas em educação, é preciso bom senso para que
os jovens não fiquem sobrecarregados e estressados. "A função dos adultos próximos à criança é perceber suas habilidade e potenciais e direcioná-las para as atividades
que ampliem o talento que a criança possui", acredita Gracia Lopes, pedagoga e consultora em educação.
Ana Lúcia Guedes Pinto, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, lembra que se a criança não tiver maturidade emocional para conciliar as atividades, pode ficar dispersa na escola. "Muitas chegam na sala de aula e querem apenas brincar, porque não têm tempo no seu dia para isso."
AcordoUma forma de evitar problemas com o excesso de atividades é fazer um acordo, ou seja, pais e filhos devem conversar e decidir juntos quais são os cursos e atividades extracurriculares que realmente podem agregar conhecimento à criança. "Se a ela gosta da atividade que está fazendo, ela vai se esforçar muito mais para ter bom desempenho", destaca Neide Noffis, coordenadora do curso de Psicopedagogia da PUCSP. "Já no caso de um curso que a criança não gosta muito ou que faz apenas para agradar aos pais, ela não vai se dedicar tanto e passa a ficar desmotivada em setores que até então tinha bom
desempenho", acrescenta ela. Como resultado da sobrecarga, alerta a especialista, o estudante pode ter dificuldade de aprendizagem e problemas de autoconceito, ou seja, passa a ser muito exigente consigo mesmo sem se destacar em nenhuma outra atividade.
Outra maneira saudável de colaborar com o desenvolvimento dos estudantes é distribuir as tarefas ao longo do dia, afirma Neide. "Além de evitar o cansaço físico e mental, o enriquecimento cultural ocorrerá de forma equilibrada.

Fonte: Jornal da Tarde