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A recente
onda de violência que atinge professores e funcionários
de escolas públicas no estado de São Paulo,
com forte presença na mídia, tem causado indignação
e justa
preocupação nos segmentos que fazem parte das
comunidades escolares e da gestão administrativa dos
estabelecimentos escolares. As ocorrências devem obter
pronta repulsa
por parte da sociedade. Afinal são os docentes ou aqueles
que fazem parte do quadro de suporte, responsáveis
por um processo imprescindível na construção
de cidadãos autônomos e colaboradores para que
tenhamos sempre uma sociedade melhor, mais instruída
e preparada.
Mas a falta de respeito que atinge, na onda recente de agressão
bem como nas idênticas situações anteriores,
limites intoleráveis, requer enfrentamento através
de mecanismos
adequados à preservação de um ambiente
escolar sadio e tranqüilo. O que certamente interessa
à absoluta maioria dos alunos e de suas famílias.
Pesquisa da Apeoesp, o sindicato dos docentes da rede pública
estadual, com 684 professores, mostra que 87%
deles conhecem casos de violência dentro das unidades
escolares; 96% já presenciaram algum tipo de agressão
verbal; 88,5% já assistiram a atos de vandalismo; 82%
souberam
de casos de agressão física e 76,4% de casos
de furtos dentro das escolas. É preciso atacar as causas
desse crescente mal que a sociedade organizada deve repudiar
sempre.
A pesquisa da Apeoesp ainda aponta que 39% por cento dos alunos
entrevistados dizem que deixam de ir para a aula, porque se
sentem inseguros diante da violência. 29% por cento
dos professores afirmaram que pensam em deixar de lecionar
devido à violência.
Uma das causas da crescente violência escolar certamente
está na ausência da família no que se
refere ao acompanhamento e participação na vida
escolar de seus filhos.
Tal ausência deixa a desejar a quantidade e a qualidade
das conversas de orientação e de correção
de comportamentos, que deveriam sempre ser priorizadas. É
a família a formadora
inicial da identidade social da criança. Deve agir
então como mediadora entre esse indivíduo e
a sociedade, preparando-o para uma cidadania crítica
e responsável.
É no convívio familiar que devem ocorrer os
primeiros contatos com o mundo das regras e dos valores, para
uma vida em sociedade. A escola não substitui a família
e nem supre a sua falta. Tem ação específica
e complementar, no processo educacional. Os pais, independentemente
da trajetória escolar que tiveram, representam os primeiros
referenciais
da necessária autoridade, quando em perspectiva positiva,
e da visão das diversas formas com que seus filhos
irão lidar com os limites da vida em sociedade. A omissão
desse
importante papel por parte das famílias abre espaço
para situações que geram a crescente violência
nas escolas.
Mas essa é apenas uma de muitas causas. Há outras,
tais como a falta de investimento do Estado na contratação
de funcionários preparados para serem instrutores,
auxiliares
aos professores e ao ambiente escolar. O atual quadro desses
profissionais, em muitas escolas públicas é,
do ponto de vista quantitativo, bastante precário.
Não obstante
isso, há ainda notícias de redução
no atual quadro, já bastante insuficiente. Falta ainda
uma política de capacitação contínua
para os profissionais de suporte, entre os quais os
inspetores. Há para esse quadro de suporte ausência
quase absoluta de uma política de carreira profissional.
A situação não é muito diferente
para os professores.
Neste rápido texto, abordamos duas questões,
uma de responsabilidade direta das famílias e outra
do poder público estadual. Há muitas outras.
Que o recesso permita-nos refletir mais sobre o tema e que
o retorno às aulas traga perspectivas de reversão
de uma situação inaceitável. E que em
momento nenhum se coaduna com o papel reservado
historicamente à escola. Edison Cardoso Lins e José
Rodrigues de Oliveira são
funcionários da Unicamp e professores da rede pública
de educação de SP
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